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Egoísmo e consciência social

Esse post nasceu a partir das reflexões do meu amigo Marcelo sobre duas postagens anteriores que se referiam ao egoismo e altruísmo e sobre o filme a "A história das coisas".
Eis o seu questionamento:

O quanto estamos dispostos a mudar após tomarmos consciência de certos fatos e dinâmicas? O quanto o nosso "egoísmo" (tema do outro post) nos diz que MERECEMOS o nível de consumo X e o resto (e os outros) que "se lixem"?

Acredito que ao entrarmos nesse ritmo de consumo completamente irracional e adoecedor não estamos alcançando uma certa plenitude, bem-estar interior ,pois ao entramos nessa lógica consumista estamos adoecidos e utilizamos uma resposta aceita e incentivada por um sistema capitalista, para dar conta de uma grande vazio existencial.

Por exemplo:quantas pessoas não possuem um trabalho alienante,sem sentido com cargas horárias excessivas, onde se gasta a maior parte da sua vida e de seus potenciais e não é feliz? Muitas vezes essas pessoas(e eu muitas vezes já fui uma delas) usam o consumismo como uma espécie de paliativo para sua dor e sofrimento por trabalhar, diariamente, com algo que não lhe satisfaz. Aí normalmente usam como argumento: Eu trabalho tanto,mereço um prêmio! E se escraviza ao sistema,pois compra um monte de coisa que o obrigará a trabalhar durante meses ou anos para pagar.

Isso é completamente o contrário do que eu chamo de egoísmo no post passado: O egoísmo que eu me referia era olhar verdadeiramente para dentro e compreender as coisas que REALMENTE te faz feliz e ao agir em busca dessa felicidade você poderá encontrar um sentimento de plenitude e assim num processo autoregulador você também estará mudando o mundo a sua volta,pois adotará posturas contrárias a um sistema adoecedor e quem sabe tomará atitudes altruístas para a melhoria de pessoas menos favorecidas.

Pode parecer um sonho,mas acredito no homem como um ser histórico-social que através de seus posicionamentos e atitudes, modifica o mundo a sua volta e constrói uma nova história social.

Eu não acredito que os seres humanos precisam se realizar unicamente através na compra de objetos, há outras coisas, mas para encontra-las você precisa olhar para si e cuidar do seu eu, assim cuidará também do mundo a sua volta.

Eis alguns exemplos de atitudes para mudar o mundo:
-Consumo consciente
-Reciclagem
-Voluntariado
-Ética nas relações principalmente nas profissionais
-Movimentos sociais que promovam educação,leitura crítica e consciente sobre nossa organização social,
-Ócio criativo (use o seu tempo livre para fazer coisas que gosta sem culpa, sem se sentir pressionado por não estar estudando ou ficando bonito, encontre coisas que não seja necessariamente um produto de consumo,por exemplo pique-niques, saraus,fazer artesanatos ou trabalhos manuais,exposições de artes,contemplar a natureza, dentre outras coisas que é possivel fazer sem adquirir um pacote turístico ou gastar muito dinheiro)
-Incentivo ao cooperativismo;

Deve haver outros exemplos, mas não me recordo agora!

Digamos que para adotarmos essas posturas precisamos,anteriormente,sair de uma posição alienada diante os mecanismos de manipulação e adotarmos uma postura sincera,justa e ética diante nós mesmos e diante o mundo a nossa volta.

Para sermos altruistas precisamos, antes de tudo,sermos egoistas...

Resolvi começar esse post com esse título porque fui acometida por sérias reflexões no dia do meu aniversário.Pensei sobre como cheguei aos trinta anos plena e feliz e ao me perguntar a causa da felicidade percebi que minha alma estava cheia, cheia de alegria e plenitude. Percebi o quanto amava a minha vida, meus amigos, minha família e que não tinha do que reclamar.Mas o que preenche nossa alma? Lembrei de um fim de semana em que me senti de alma cheia: acordei devagar, comemos sem pressa,fizemos gelatina,aguardamos ela ficar pronta para come-la depois,pegamos um cineminha e o filme "A Origem" foi maravilhoso, depois encontramos uns amigos, fomos ver a exposição do Vik Muniz e para finalizar um bom cafezinho e um papo maravilhoso.
Resolvemos nos presentear com um dia sem pressa, onde a espotaneidade estaria no comando e por isso não aceitamos nenhum convite que ferisse nossos desejos, queríamos estar a vontade, livre de aniversários, festas de familias ou qualquer coisa que em alguns momentos o fazemos por obrigação. E confesso foi maravilhoso! Não deixamos de amar nossos amigos e familias,mas para estarmos plenos com eles, era preciso que estivessemos plenos conosco. Não violentar o seu próprio eu é deixar espaço para preencher a alma com o que nos faz bem, assim poderemos transbordar qualquer ambiente e encher de felicidade qualquer companhia e o mundo a nossa volta.

Portanto:trabalhe sua alma, enche-a de alegria e plenitude,depois inunde as pessoas e ambientes a sua volta com tais sentimentos: O MUNDO AGRADECE.